terça-feira, junho 01, 2010

UM ANO INEXORÁVEL

Leitor amigo, preste atenção: nada é tão inexorável quanto isto (nem mesmo as novelas com temática italiana que, de tempos em tempos, reaparecem depois do Jornal Nacional). Com o intuito de incrementar o marketing, nove entre dez “gringos descolados” adoram vir para cá e se meter nas nossas insignificantes vidas de cucarachos.

Na última terça-feira (01), Oliver Stone se encontrou com a pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. O diretor de cinema norte-americano, que é fã de Hugo Chávez, passa oito dias no Brasil e divulga “Ao Sul da Fronteira”, documentário sobre sete presidentes da América Latina, com destaque, é claro, para o líder venezuelano.

No encontro, Stone elogiou Rousseff e babou nos ovos do Lula. Disse admirar os esforços diplomáticos do nosso presidente e do governo turco em relação ao enriquecimento do urânio pelo Irã.

Em abril, outro gringo descolado, James Cameron, já tinha flertado com a presidenciável Marina Silva. Para quem não se lembra, o cineasta canadense também meteu a colher numa questão particularmente nossa: construir ou não a tal hidrolétrica em terras indígenas. Ele fez tumulto em Brasília. Promoveu o seu filme. Usou e abusou da nossa polêmica questão intestina e caiu fora muito antes que os mais acalorados debates do ano tivessem início.

Marina Silva sozinha, sua cara estranha pintada de azul avatar. Nas mãos quebradiças, que mais parecem gravetos recolhidos no chão de uma épica floresta de minissérie, uma borduna ricamente adornada segundo as artes da terra. O símbolo fálico de uma raça estéril. Em patchwork, os dizeres: “Lembrança de Porto Velho – Volte sempre”.

Inexorável. 2010 é o mais inexorável dos anos. Constituído pelos doze meses mais previsíveis dos últimos dez anos, 2010 se tornará um símbolo! Quer apostar? Avalie carinhosamente o potencial deste ano: Copa do Mundo, eleição presidencial, fim de década... O quê resta dizer? Inexorável.

Nos vindouros debates, tão logo o cheiro de Ecologia surja no ar, é de se esperar que a Dilma se defenda com os apagões e os racionamentos do governo FHC. Quer apostar? E tão logo recupere a palavra, se bem a conheço, ela vai sacar Oliver Stone da manga e desviará todas as atenções para os esforços de Lula em conjunto com os turcos na construção bomba iraniana. Vai dizer que a imagem do Brasil é outra no contexto mundial. Nova imagem?! No lugar de animais selvagens, índios de sunga e futebol, cidadãos críticos de países como Japão, Inglaterra ou Austrália pensarão em coisas como lança-foguetes, mulheres de burca, bigodões, turbantes e carros-bomba tão logo ouçam a palavra Brasil. No lugar de favela, campo de refugiados.

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